Mulheres do Software Livre

A professora da Unicamp, Claudia Medeiros, é a primeira presidente mulher da Sociedade Brasileira de Computação. Uma das preocupações da pesquisadora, que já está na segunda gestão do mandato, é com a ampliação da participação feminina na área. Segundo ela, esse também é o desafio de outras sociedades científicas ao redor do mundo. Nesta entrevista, Claudia fala sobre sua trajetória na área da Computação sobre a necessidade de aumentar a presença feminina no universo digital.

Computação Brasil – Como surgiu seu interesse pela área de computação?

Claudia – Em 1972, eu cursava Engenharia Elétrica na PUC-Rio. No primeiro semestre, fiz um curso de Introdução à Programação com o professor Antônio Furtado, um dos pioneiros da Computação. Na época muitas universidades dispunham de computadores. eRA TUDO MUITO primitivo,  a programação era feita com cartões perfurados. Aprendi o básico e virei monitora. Mais tarde consegui um emprego em Furnas como analista de sistemas. conclui mestrado em computação, em 1979. Decidi me tornar uma pesquisadora e fui para o canadá fazer doutorado.

CB- Alguma vez fostes discriminada como mulher?

Claudia- No mestrado não me sinti discriminada. Em Furnas , eu era a única mulher do departamento, mas não era tratada de forma diferente, às vezes ouvia algumas piadinhas. Na universidade de Watterloo, no Canadá, não havia uma só professora mulher. A discriminação nos meios acadêmicos era maior que no Brasil. Na época 30% dos docentes em Computação da Unicamp eram mulheres. Há muito tempo o brasiil se distingue dos países desenvolvidos no que tange as oportunidades acadêmicas para mulheres em Computação.

CB- Por que o interesse das mulheres pela Computação diminuiu com o passar dos anos?

Claudia – Existem várias hipóteses. A econômica diz que, como se tratava de uma nova profissão, os homens não sabiam que  a remuneração era boa e não competiam com as mulheres. Outra suposição é que  tipo de trabalho afugenta as mulheres em função da falta de horários fixos e do alto nível de comprometimento. Também há o precnceito de que a profissão é voltada apenas para quem se interessa por máquinas e que não existe o aspecto humano. Psicologicamente, mulheres trabalham melhor em atividades multidisciplinares, que envolvem o aspecto social. A queda participação feminina é uma tendência em todo o mundo, exceto na Irlanda, talvez porque lá as escolas não são mistas. Há uma teoria de que nas escolas mistas os meninos intimidam as meninas. Nas Olimpíadas de Informática, evento promovido pela SBC, no nível mais básico a participação feminina se que se equivale à masculina. Nos de mais níveis, que abrangem meninos e meninas já na adolescência, a presença feminina é bem menor.
CB – Como se pode ampliar a  participação feminina?

CBM –  Em primeiro lugar, incentivando as meninas a estudar Computação e a usar computadores em atividades multidisciplinares para  mostrar  que  existe um enorme campo de aplicação.Um dos desafios é entender porque as mulheres se desinteressaram pela área. É preciso resolver questões como competição e horário e atingir os professores do nível fundamental e médio, que têm boa base em Matemática, mas  raramente em Informática. Como mostrar para os alunos que a Informática é interessante se os próprios professores não têm acesso à tecnologia? O governo está tentando ações afirmativas. Para mim, a Computação deveria ter atenção especial porque permeia as demais áreas do conhecimento e contribui para uma inserção digital muito mais ativa.
CB – Qual a importância de ser a primeira presidenta da SBC?
CBM – O mais importante é  que a presidência tem visibilidade. É uma forma de mostrar que Computação não é só para homens, inclusive metade da diretoria da SBC é composta por mulheres. Gostaria de criar programas de inserção digital feminina. Temos que mostrar as mulheres que elas são importantes para o desenvolvimento tecnológico do País.

A professora da Unicamp, Claudia Maria Bauzer Medeiros, é a primeira presidente mulher da Sociedade Brasileira de Computação. Entrevista para a revista computação Brasil 2006.

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