Mulheres do Software Livre

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Cerca de 200 pessoas assistiram ao debate sobre mulheres e software livre, que aconteceu na manhã desta quarta-feira, 22, durante o fisl11. A atividade foi organizada pelo Grupo de Trabalho Feminino Livre.

Entre as debatedoras, a professora Clarisse Abrahão fez um panorama sobre o papel da mulher na área de educação, espaço ocupado predominantemente por mulheres. Mas quando se trata de tecnologia, a situação não é muito animadora: “Professora chama homem até para ligar o DVD”, lamenta. Na opinião dela, isso se deve a uma questão cultural. “Desde a infância, as meninas são criadas para brincar com bonecas”, diz.

A administradora de sistemas Fernanda Weiden iniciou sua carreira na informática em 2001, numa área eminentemente masculina. Talvez por isso, foi surgindo uma grande insegurança: “Eu não sabia se eu realmente sabia fazer aquilo a que eu tava me propondo. É um sentimento que ainda tenho, mas eu controlo”, diz.

Quando fez a sua prova de certificação, era a única mulher. Nos empregos, nas palestras também era a mesma coisa. Mas isso pode ter um lado bom: “Pelo fato de ser mulher e trabalhar com tecnologia, automaticamente somos consideradas experts”. Fernanda apresentou uma palestra e foi convidada pelo Google para realizar uma entrevista de emprego na Suíça. Foi contratada. Hoje em dia é gerente de uma equipe de engenharia da empresa. Dos cerca de 600 engenheiros, ela é a única mulher.

A coordenadora de TI da Caixa Econômica Federal, Cleusa Takakura, além de dar o ponto de vista feminino, falou sobre a história da implantação de software livre na entidade. “Foi uma dificuldade grande, mas as batalhas foram vencidas”, diz. Cleusa fez questão de estudar a fundo várias ferramentas livres antes de iniciar o planejamento. “A gente tem que ser expert, não pode parecer”, afirma. Mas as dificuldades encontradas estavam longe das dificuldades técnicas: “Sempre tem alguém questionando e quando a gente é mulher questionam mais, para ver se vamos desistir mais rápido. Chorei muitas vezes sozinha”, conta. Cleusa sabia o que os colegas pensavam sobre ela: “além de estar inventando, está endoidando”.

Mas ela venceu. “Com braço de ferro, a gente segura. Com braço de mulher, a gente mantém o que faz” é frase que ela usa para falar da experiência dolorosa, mas de sucesso. Cleusa se diz extremamente feliz por estar no fisl11 compartilhando as suas experiências. Para ela, trata-se de uma forma de a entidade contribuir para a construção da confiança sobre o software livre, já que, ao mostrar que funciona no ambiente corporativo, outras empresas passam a se interessar.

Finalizando, a coordenadora do Grupo de Usuários BrOffice.org de São Paulo, Vera Cavalcante, faz uma analogia entre a filosofia do software livre e a personalidade feminina: “Colaboração é uma coisa bastante instintiva da mulher”. Segundo conta, quando participa de eventos, apresenta projetos, treinamentos etc sempre busca um jeito feminino de convencer as pessoas sobre o uso do software livre.

O compartilhamento e a colaboração são outros aspectos importantes, conforme destaca: “Acho que a mulher consegue fazer isso melhor pelo seu instinto feminino”, diz. Vera, que trabalha na área administrativa do Serviço Federal de Processamento de Dados – Serpro, lembra que não é necessário ser da informática para contribuir com software livre.

Por Rochele Prass
Fonte: http://softwarelivre.org/fisl11/noticias/auditorio-lotado-no-debate-sobre-mulheres-e-software-livre    (22/07/2010 23:22)

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Comentários em: "Auditório lotado no debate sobre mulheres e software livre" (1)

  1. Denise Gugelmin disse:

    Eu assisti a essa palestra no FISL, e foi realmente muito boa.

    É todo um conjunto de fatores que leva à área de TI para as mulheres parecer mais assustadora do que realmente é. Ela exige, com certeza muito esforço, mas muitas lutas que temos que vencer existem para as mulheres independente de profissão. E foi muito bom ouvir essa palestra, com todos os depoimentos de estabelecimento de uma carreira com maestria! Com certeza foi e será um exemplo e incentivo enormes.

    Parabéns não só a elas mas a todas as mulheres que fazem parte desse ideal por um mundo mais livre =)

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